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Mostrando postagens com o rótulo História Regional

Academia de Comércio de Santos (Secundária)

Outra Instituição de grande importância para compreender a questão da escolarização em Santos é a Academia de Comércio de Santos, criada em 1907, já no fim do período das Intendências Municipais. As grandes transformações culturais e socioeconômicas ocorridas em Santos na passagem do século XIX para o XX, criaram novas demandas nas práticas comerciais e estas podem ter propiciado a fundação de uma escola de comércio. Andrade (1978, p. 116) trata da forma como o café trouxe nova dinâmica a Santos, com suas novas “necessidades ligadas aos problemas de sua exportação”’, como o tempo de permanência dos navios no porto, a armazenagem do café, a exigência de concretização de contratos ou acordos comerciais. As operações, antes feitas entre pessoas com ligações pessoais e na base da confiança, com o aumento do volume dos negócios cedem lugar ao financiamento deste intenso comércio, a diferentes bancos de crédito agrícola como o Banco de Crédito Real, o Banco de Crédito Hipotecário e Agríco...

O Legado Barnabé e o primeiro “Templo do Saber” de Santos

O primeiro grupo escolar criado em Santos foi o Cesário Bastos, de 1900.No entanto, já estava em discussão a ideia da necessidade de mais escolas pelo menos há mais de uma década. Isto porque na década de 1890 ainda não existiam na cidade escolas direcionadas ao ensino gratuito que pudessem comportar todas as crianças da cidade, mas: [...] em 1869, existiam duas cadeiras masculinas e duas femininas, aumentando para três masculinas e três femininas, em 1879, da rede estadual. Já no ensino municipal, havia a Escola Olavo Bilac, criada pela Lei nº 97 de 12/05/1897, composta por oito classes diurnas não reunidas (VIEIRA, 2011). Portanto, pode-se perceber que Santos estagnou na área da educação pública durante 20 anos, a despeito de que a população ter crescido a cada ano. Essa situação tornou necessário um ensino de qualidade que pudesse comportar todas as crianças em idade de alfabetização em escolas com boa estrutura. [...] em 1873, quando a população de Santos, era ape...

Escola sem edifício: O primeiro Grupo Escolar Santista

Escola sem edifício: O primeiro Grupo Escolar Santista Tomando como lema dos republicanos do progresso, os políticos da cidade demonstravam preocupação com a instrução dos cidadãos santistas. Um desses intendentes, João Baptista Martins de Menezes, ocupava também o cargo de Inspetor Literário. Menezes então ocupava duas importantes funções, como Inspetor Literato e da Instrução, nesta última,  tinha o dever de enviar ao Secretário do Interior, relatórios das atividades exercidas e informar sobre a situação da instrução na cidade. Em desses relatórios usou exemplos de pensadores europeus e também políticos norte-americanos, evidenciando a influência do modelo estrangeiro como nos mostra em um trecho de seu relatório: A prosperidade de um paiz não depende da abundancia das suas rendas, nem da importância das suas fortalezas, nem da belleza dos seus edifícios públicos, consiste no numero dos seus cidadãos cultos, nas suas maneiras de educação, illustração e caracter. Nisso é qu...

Grupos Escolares– disputas de símbolos

Os responsáveis pela criação da Constituição de Santos não conseguiram fazer grandes mudanças na cidade no que se refere a expansão da educação, contando a cidade com inúmeras iniciativas de particulares, dentre elas, as empreendidas pelos imigrantes, religiosos e filantrópicos; as empreendidas pelo poder público atendiam um número muito pequeno da população.             Com a mudança no poder da cidade, a gente percebe que a expansão vai ser assegurada, tendo como disputa, ainda, os dois primeiros grupos, opositores da cidade, o alinhado ao governo que acaba construindo o Grupo Escolar, mas inicialmente em prédio provisório, que não representa o progresso republicano anunciado e propagandeado. O segundo, não alinhado ao governo, por meio de recursos de herança de Barnabé, vai construir o sonho republicano, de progresso de inovação. A seguir apresentaremos como este processo se deu.

Fim de um projeto: A anulação da Constituição Municipal

Contudo, tais “novidades republicanas” foram alvo de contestação por parte da elite política estadual e de seus aliados municipais, tendo sido pedida, em dezembro de 1894, a anulação da Constituição por Dr. José Emílio Ribeiro de Campos, major Francisco Cruz e outros, por meio de recurso à Câmara dos Deputados do Estado de São Paulo. Entre os motivos alegados, estava a inconstitucionalidade de suas disposições, que contrariariam tanto a Constituição Estadual como a Federal. Em resumo, apresentaram-se os seguintes motivos: A declaração de que a cidade de Santos era soberana em seu território municipal; a criação de um “poder judiciário municipal” com o nome de Câmara de Recursos; a concessão de capacidade jurídica às mulheres; o estabelecimento   de penas, delitos e regras processuais com relação aos crimes de improbidade administrativa; a determinação de casos de desapropriação de bens por utilidade púbica; a atribuição do poder executivo para um prefeito; incluir entre as fon...

A Constituição Municipal de Santos - 1894

A cidade de Santos, ao longo do século XIX, vinha enfrentando problemas sanitários, que originavam e propagavam diferentes epidemias, como já foi mencionado anteriormente, sendo deixada à própria sorte pelos governos estadual e federal. Estes só voltaram seus olhos para a cidade com o desenvolvimento do comércio de exportação, principalmente de café, no final deste século, quando passaram a ingerir nos negócios da cidade, segundo seus interesses. Conforme já visto, com a Proclamação da República, o governo municipal passa das Câmaras para os Conselhos de Intendências. A Constituição Federal e depois a Constituição Estadual de São Paulo estabelecem algumas diretrizes, mas deixam a cargo dos municípios sua própria organização administrativa. A legislatura de 1892 a 1895 é a primeira da República eleita pelo povo e nela estão sujeitos que participaram ativamente do movimento, bem como dos conflitos republicanos, como a Revolta da Armada. O primeiro grupo de Intendentes eleitos em S...

Quem eram os sujeitos e grupos no período que seguiu a proclamação da República

No período que seguiu a proclamação da República, o Presidente do Estado encarregou-se [1] de nomear os intendentes que governariam o município até que as eleições fossem realizadas. Fez as tais nomeações a partir de pessoas de seu grupo de interesses, com elementos que apoiavam a corrente de Bernardino de Campos. Proclamada a República, a 15 de novembro de 1889, Santos foi governada por uma junta governativa provisória, composta dos seguintes cidadãos: Antônio Lacerda Franco, Antônio Carlos da Silva Telles, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, José Azurém Costa Júnior, Ernesto Cândido Gomes, Leão Luís Ribeiro, Walter Wright, Guilherme José Alves Souto , Henrique Porchat e Manoel Franco de Araújo Vianna. Como os interesses dos que compunham a junta governativa provisória nem sempre eram compatíveis com os interesses dos santistas, empresário e políticos da cidade, este foi um período de muita instabilidade, havendo muitas exonerações e nomeações [2] . Ainda que de difícil defi...