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Mostrando postagens com o rótulo História

A intendência municipal e a educação

Com a proclamação da República, foi criado um novo sistema político-administrativo nos municípios, denominado de Intendências Municipais. Nesse período de instabilidades políticas, os grupos políticos existentes disputaram poder, refletindo essa instabilidade. Especialmente em Santos, a propaganda republicana encontrou um bom palco, atingindo diversas camadas da população. Assim que chegou a notícia da proclamação da República, foi aclamado um novo governo municipal pela população. Foi eleita esta “junta provisória” com o fim de garantir que a República se estabelecesse pacificamente na região. A aclamação do novo governo foi festejada em toda a cidade com espetáculos, entoação da Marselhesa, e com ampla participação popular, já acostumada com a propaganda republicana na cidade(SANTOS, 1986, p. 247). Eis o que diz a ata da reunião popular de aclamação à República: Aos 15 dias do mês de novembro de 1889, no Paço Municipal desta cidade de Santos, em virtude de notícias telegráf...

A ESCOLA MODERNA E SEUS ALUNOS: ALGUMAS PALAVRAS

Se a realidade é opaca, existem zonas privilegiadas – sinais, indícios – que permitem decifrá-la. CARLO GIZBURG         Em seu célebre texto sobre cultura escolar (JULIA, 2001), Dominique Julia se propõe a refletir sobre esse conceito a partir de um determinado recorte temporal, séculos XVI e XIX, justificando: “Esses três elementos, espaço escolar específico, cursos graduados em níveis e corpo profissional específico, são essenciais à constituição de uma cultura escolar e justificam, portanto, a restrição cronológica que me impus” (JULIA, p. 15) Tais elementos, conforme explicitados pelo próprio autor, são os constitutivos de uma cultura própria da instituição escolar, que surgiu, portanto, historicamente. Durante o século XVI há a sedimentação da ideia que o ensino deveria se dar em um espaço escolar à parte, com um edifício, um mobiliário e um material específicos. Esse ideal se desenvolve a partir do modelo das Escolas Cristãs de Jea...

Comunidades Imaginadas

Segundo Benedict Anderson, em Comunidades Imaginadas a nação não existe fisicamente, sendo um sentimento coletivo. E é um sentimento criado, “inventado”, é uma representação, e por isso ele as chama de “comunidades imaginadas”. O conceito de nação foi imaginado a partir de dois sistemas culturais: a religião e as dinastia reais.  Esse dois sistemas reuniam sob si os diferentes indivíduos, dando a sensação de unidade entre os desiguais, irmanando-os sobre um sentimento comum. É o que acontece atualmente sobre o sentimento nacional: os indivíduos reconhecem-se como membros de uma mesma nação, com sentimentos e aspirações em comum, mesmo sabendo que nunca conhecerão pessoalmente aos todos os outros membros de sua nação. Tendo em vista que o conceito de nação é “imaginado” por um coletivo, deve-se procurar estudar o modo de pensar, as idéias desse coletivo para conhecer o que entendem por nação. O Artefato Cultural é o instrumental teórico utilizado para estudar esse sentimento de...

A Missão: algumas reflexões sobre o filme.

O contexto do filme “A Missão” é o da redefinição das fronteiras entre Portugal e Espanha pelo Tratado de Madri (1750), e a expulsão dos Jesuítas e suas Reduções do território que passava a pertencer a Portugal. Motivado pela resistência indígena (e jesuíta) em deixar suas habitações e terras, dá-se início ao conflito armado que ficou conhecido como Guerras Guaraníticas. Diante disto o filme basicamente retrata o bandeirante como o caçador e escravizador de nativos, o colonizador como ambicioso e desejoso de riquezas e terras americanas, os índios como ingênuos e vítimas da colonização e por fim o jesuíta como o protetor e salvador dos povos indígenas. Ocorre que, como em todo filme, neste também a ficção suplanta a realidade histórica. Vemos que no início dom filme o personagem interpretado por Robert De Niro é mostrado como uma pessoa dura, quase sem sentimentos, que embrenha-se nas matas à procura de índios para capturar e escravizar, e pagando com a morte aqueles que opusere...

Viajantes estrangeiros no Brasil - fichamento de livros

Auguste de Saint Hilaire Viagem pelas Províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1938 Viajou alguns anos pelo Brasil , tendo escrito importantes livros sobre os costumes e paisagens brasileiros do século XIX . Comenta a "Brasiliana da Biblioteca Nacional", página 69: " A viagem do botânico Auguste de Saint-Hilaire ao Brasil foi paradigmática no que diz respeito à forma como os cientistas da Europa dita civilizada se relacionaram com o Brasil no início do século XIX. O francês veio para o Brasil em 1816 , acompanhando a missão extraordinária do duque de Luxemburgo, que tinha por objetivo resolver o conflito que opunha Portugal e França quanto à posse da Guiana . Apesar de ter conseguido fazer parte da missão graças a suas relações pessoais, Saint-Hilaire obteve a aprovação do Museu de História Natural de Paris e financiamento do Ministério do Interior. O naturalista deixou o Brasil em 1822 ." Foi bastante crítico qua...