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Comunidade política imaginada - limitada e soberana

Benedict Anderson, ao estudar a questão da nação, a define como uma comunidade política imaginada, que é ao mesmo tempo limitada e soberana. Para ele a nação é imaginada, pois é constituída a partir da idéia de que há algo que une diferentes indivíduos sob desejos, aspirações ou sentimentos comuns, e estes indivíduos tem essa idéia de unidade, de pertencimento, mesmo que nunca encontrem os demais membros de sua nação. Não se pode imaginar todo o mundo, ou toda a humanidade, como membros da mesma nação.  Diante disso, essa comunidade imaginada não pode ser ilimitada. Ela deve ter fronteiras físicas, delimitações pré-definidas. Tais limitações ao mesmo tempo que identificam seus nacionais, e estes entre si, e também apontam outros como diferentes e por isso como membros de nações diversas. Diz-se que a nação é soberana, pois seus interesses devem se sobrepor aos interesses de nações diferentes. A autonomia de uma nação frente as demais é que garante sua liberdade, sua individu...

Por uma história comparada das sociedades européias - Marc Bloch

Pour une histoire comparée des sociétés européennes Marc Bloch 1. Contexto da época Pós-primeira guerra e descrédito da história no nacionalismo; Problemas e novos espaços geográficos  “A emergência da “História Comparada”, proposta como abordagem por Marc Bloch nos anos 1920, acompanha a decepção de certos setores da intelectualidade européia frente aos nacionalismos exacerbados que haviam levado o mundo à Primeira Grande Guerra: romper as amarras das histórias nacionais, voltadas para o estudo de um único país, parece ter se mostrado ao historiador francês como um caminho que poderia ser experimentado por aquele novo ‘campo histórico’ que pretendia comparar dois recortes historiográficos distintos, duas sociedades, duas realidades em iluminação recíproca” José D’Assunção Barros 2. Sobre Marc Bloch Estudou na Escola Normal Superior, pequena escola superior separada da Universidade de Paris, mas altamente qualificada, onde os estudantes eram internos e a disc...

A CULTURA ESCOLAR COMO OBJETO HISTÓRICO Dominique Julia

Conceito: à Conjunto de normas que definem conhecimentos a ensinar e condutas a inculcar, e um conjunto de práticas que permitem a transmissão desses conhecimentos e a incorporação desses comportamentos; normas e práticas coordenadas a finalidades que podem variar segundo às épocas( finalidades religiosas, sociopolíticas ou simplesmente de socialização). O autor pontua a importância de levar em conta o “corpo profissional dos agentes” responsável por colocar em prática esses saberes: Os professores primários e secundários. à São modos de pensar e agir adquiridos por intermédio da escola. à São também as culturas infantis que se desenvolvem nos pátios de recreio Historiografia: Década de 70 – Bourdier e Passeron: Meio inventado pela burguesia para adestrar e normalizar o povo. Década de 80 – escola reabilitada como o triunfo técnico e científico de uma imposição normativa. (Comemoração das leis de obrigatoriedade fins do século XIX) - Uso de textos normativos Sugere o...

GRUPOS, IDÉIAS E MILITÂNCIA – PARTE 3

Outro conflito importante no qual estiveram envolvidos os constituintes santistas foi o ocorrido entre os anos de 1893 a 1895, quando houve no país a chamada Revolta da Armada, contra o governo autoritário de Floriano Peixoto. Este justificava suas atitudes autoritárias e centralizadoras com o argumento de proteger a república. Muitos dos republicanos, no entanto, entenderam que a república, na realidade, estava sendo usurpada com a falta da legalidade e cerceamento da liberdade. Segundo Olao Rodrigues: Santos [...] se mostrava politicamente agitada em conseqüência dos acontecimentos de 1893, dividindo-se os florianistas em dois grupos influentes, um sob a chefia do Dr. Manuel Maria Tourinho e o outro liderado por Américo Martins dos Santos(1979, p. 70) No entanto, podemos perceber que havia um grupo de apoiadores dos revoltosos. De fato, “os antiflorianistas, numerosos em Santos, aquela altura, ainda teimavam em não ceder em seus direitos de opinião” (SANTOS, 1986, p. 257). Iss...

GRUPOS, IDÉIAS E MILITÂNCIA – PARTE 2 - EDUCAÇÃO

Podemos destacar a atuação de elementos desse grupo principalmente com relação ao saneamento e com a educação, pois eram esses os dois principais problemas da cidade no período. A preocupação com a instrução foi característica dos primeiros republicanos, especialmente dos positivistas. Isso porque a participação na política era restrita aos alfabetizados, pois a vida em sociedade era destinada aqueles instruídos para tanto. É o que podemos depreender por exemplo: “Instruir o povo é prevenir a ochlocracia, é virilisar o espírito popular, é avigorar a consciência pública. A república só poderá ser comprehendida, só poderá produzir os seus verdadeiros benefícios, quando o povo pela instrução, se capacitar de que agitar, perturbar a Republica é esmagar a própria conquista, masm, para o povo ser grande, para toprnar-se magestoso e digno, não lhe é mister derrocar Bastilhas, cumpre-lhe somente conquistar o livro, invadir a eschola. (RELATÓRIO de 1898 p. 26) A influência do positivis...

GRUPOS, IDÉIAS E MILITÂNCIA

Importante para a história da República em Santos, foi o ano de 1894 de instituição da Constituição Política da cidade. A promulgação desta Carta Política marca uma forma diferente de pensar a república, liberta das antigas influências monarquistas, e com maior intenção de liberdade e autonomia municipal. Essa forma diferente de encarar o novo regime pode ser interpretada a partir da trajetória dos sujeitos signatários desta Lei. Algo a ser destacado é o fato de que até então os membros da Câmara e Intendência santista eram nomeados pelo Presidente do Estado e, por isso se alinhavam aos interesses deste na cidade; e os vereadores que assinaram a Carta Magna Santista foram os primeiros a serem eleitos pelo povo no regime republicano, e por anos vinham fazendo oposição aos governantes da cidade. Segundo a lista de assinaturas que segue à Constituição Política de Santos, foram signatários da Lei Magna santista: Antônio Manuel Fernandes, José André do Sacramento Macuco, José Caeta...

O AMBIENTE SANTISTA: TRANSFORMAÇÕES, PROBLEMAS E PROJETOS – PARTE 3

A república trouxe expectativas de renovação política e solução dos problemas sociais da cidade. A cidade teve protestos e conflitos que são fruto dessa expectativa, dessa movimentação da população frente a necessidade de resolução dos problemas.  Um exemplo foi a revolta dos quebra-lampiões, ocorrida em 1884, na qual a população se revoltou contra os desmandos da Cia. City, que abastecia de água da cidade, e que decidiu por reduzir seus serviços arbitrariamente. Dessa revolta participou ativamente Antonio Manuel Fernandes, um dos signatários da Constituição municipal de Santos. Outro exemplo de luta do período e de conflitos entre os grupos da cidade é a greve de 1891. Essa greve foi iniciada entre os carregadores do porto, juntando-se depois os estivadores, ferroviários, pedreiros e outros, paralisando a Alfândega, Mesa de Rendas, comércio, bancos etc. Foram mobilizados “fura greves”, força pública e Marinha. O Tenente (deputado e chefe do partido operário) da Marinha, Jos...